“Minha gengiva sempre sangra um pouquinho quando escovo, mas é normal.” Essa é uma das frases mais perigosas do consultório — porque não, não é normal. O sangramento é o primeiro aviso de uma doença silenciosa que, sem tratamento, é a maior causa de perda de dentes em adultos.
A boa notícia é que, quando identificada cedo, a doença periodontal é totalmente controlável. Neste artigo, as especialistas da AIRA explicam a diferença entre gengivite e periodontite, os sinais para ficar atento e como o tratamento devolve a saúde da sua gengiva.
Gengiva saudável não sangra
Uma gengiva sadia é firme, de cor rosa e não sangra durante a escovação ou o uso do fio dental. Quando há sangramento, quase sempre existe inflamação causada pelo acúmulo de placa bacteriana — aquela película que se forma sobre os dentes ao longo do dia.
Guarde esta ideia
Sangrar ao escovar não é sinal de que você “escovou forte demais”. Na grande maioria dos casos, é sinal de que a gengiva está inflamada e pedindo cuidado.
Da gengivite à periodontite: como a doença evolui
A doença periodontal acontece em estágios:
1. Gengivite
É a fase inicial e reversível. A gengiva fica avermelhada, inchada e sangra com facilidade. Nesse ponto, ainda não há perda de osso — com tratamento e higiene adequada, a gengiva volta ao normal.
2. Periodontite
Se a gengivite não é tratada, a inflamação avança para os tecidos e o osso que sustentam o dente. Formam-se “bolsas” entre a gengiva e o dente, onde as bactérias se acumulam. Aos poucos, o osso é destruído, os dentes ficam amolecidos e podem se perder. O osso perdido nem sempre é totalmente recuperável — por isso o tempo importa tanto.
Sinais de alerta que você não deve ignorar
- Sangramento ao escovar os dentes ou usar o fio dental;
- Gengiva vermelha, inchada ou sensível;
- Mau hálito persistente ou gosto ruim na boca;
- Gengiva que “diminui”, deixando o dente com aparência mais longa (retração);
- Sensibilidade na raiz exposta;
- Dentes que parecem amolecidos ou que mudaram de posição;
- Pus entre a gengiva e o dente.
A periodontite avança em silêncio. Quando o dente amolece, a doença já está adiantada.
O que causa a doença periodontal
A causa principal é o acúmulo de placa e tártaro, mas alguns fatores aumentam o risco e a velocidade da doença:
- Higiene insuficiente: escovação irregular e falta de fio dental;
- Tabagismo: um dos maiores fatores de risco, além de mascarar o sangramento;
- Diabetes: descontrolado, favorece e agrava a doença;
- Fatores genéticos e hormonais;
- Estresse e alguns medicamentos que reduzem a defesa dos tecidos.
Como é o tratamento
O tratamento depende do estágio. Na gengivite, muitas vezes basta uma limpeza profissional e o ajuste da higiene em casa. Na periodontite, o tratamento inclui a raspagem (remoção do tártaro abaixo da gengiva), o controle das bolsas periodontais e, em casos mais avançados, procedimentos específicos. Depois vem a fase mais importante: a manutenção periódica, que mantém a doença sob controle e estável.
Como prevenir
- Escove os dentes ao menos duas vezes ao dia, com técnica adequada;
- Use fio dental diariamente — é ele que limpa entre os dentes;
- Faça limpezas profissionais e avaliações periódicas;
- Não fume;
- Se tiver diabetes, mantenha o controle da glicemia.